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terça-feira, 17 de agosto de 2010

MOMENTOS EM SAMPA...





Meu Bebê,

Essas fotos são de abril, no tempo em que mamãe estava em São Paulo estudando no Doutorado. E durante um final de semana recebeu a visita de tia Lali (2ª foto, acima) e tia Nilda (3ª foto, abaixo), pois foram passear e buscar vovó Beré. Como mamãe estava com 5 meses, deu para passear bastante, fazer compras e rir muitoooo. Imagine, nós 4 em um quarto de um flat? Sua tia Nilda é uma figura!!!!! Depois vamos te contar essa aventura!
OBS: Ahhhh a 1ª foto foi tirada no mercado municipal, onde saboreamos o sanduiche de mortadela. Ohhhhh DELÍCIA!!!!!

DE ONDE VEM SEU NOME?

Filha,
Essa na foto é sua bisavó Maria Elisa. E foi para homenagear essa mulher de fibra, que escolhemos seu nome. Pois sua bisavó é uma pessoa que conseguiu vencer na vida, com muitas dificuldades. Criou seus filhos, SOZINHA, tornando-os pessoas de bem. A exemplo de sua vó Deinha e sua tia Zuzu. Aos poucos sua vó e seu painho vão lhe contar vários casos e estórias, que fará você se sentir privilegiada por ter herdado o nome de sua bisa.

SUA OUTRA ORIGEM- FAMÍLIA FERREIRA/SILVA


Tutuca,
Essa é sua outra família - Ferreira/Silva. Uma família muito especial, na qual mamãe ganhou de presente de papai do céu. Sabe, quando casamos, se diz que não ganhamos apenas um marido e sim um família. De modo que, nem sempre sabemos como os vínculos familiares vão se estabelecer. Falo também por papai, que ganhou a família de mamãe. Mas saiba que Deus é tão generoso, que me honrrou com essa família guerreira e com muitas virtudes. Uma das maiores é a garra, a força para fazer diferença e justiça. Creio que você reconhecerá isso! E terá em seus atos muito de sua avó Deinha, pois vejo a dedicação dela com as suas outras netinhas, Bruna e Amaryllis. Como também de seu avô Crispim e seus tios e priminhas. Mas sem querer destacar pessoas, abro um parentêses para a força de sua avó e a sua sabedoria. Que Deus me ajude a tê-la como exemplo na sua criação.

DE ONDE VIEMOS - FAMÍLIA MIGNAC




Filhota,
Temos nas fotos boa parte da família Mignac/Almeida. A foto em grupo, foi nos 90 anos de sua bisavó Janira. Mãe de seu avô Alfredinho. Viu como mamãe era novinha? Deveria ter 21 anos. Repare como sou muito parecida com sua bisavó e seu avô Alfredinho- a mesma cara!!!! Se estivessem conosco, você não imagina a felicidade que eles estariam. Depois temos a foto de seu avô na ilha, na casa de sua dinda. Costumavámos chama-lo de vovô gatinho, porque ele adorava caminhar na praia e usava cada óculos escuro horroso!!!! Sabe, vovô era um sucesso!!!! Super charmoso e sempre se arrumava todo para sair. Já a 1ª foto é com sua avó Beré. Essa é bem recente, foi em abril em São Paulo. Veja que, com a gestação, sua mainha aqui ficou com a cara bem gordinha e cópia de Beré. Tanto que seu pai, me chama de berequinha. Filha, olha o tamanho do caqui!!!!! Enorme... eu e sua avó caímos de boca!!!!
Meu bebê, assim era também como chamava seu avô. Quero que aprenda que uma pessoa que honrra sua família e sua origem é uma pessoa abençoada. NUNCA SE ESQUEÇA DE ONDE VEIO E QUEM FAZ PARTE DE SUA HERANÇA GENÉTICA. Pois, tem momentos na vida que o biológico nos rememora nossa origem. Sei que terás um coração agradecido por essa família!
É uma família muito afetuosa, onde o afeto é tecido no cotidiano. Seu avô nos chamávamos de família "quiquicacá", pelo modo como sua avó e filhas viviam grudadas em amor e riso. Tudo sempre era movido por otimismo, transmutação de energia e no momento em que o bicho "pegava", olha lá o riso solto!!! Adivinha quem começava? Sua tia/dinda tricolouca!!!!!
Depois coloco fotos do seu bisavô Alfredo Mignac e seu bîsavô Lula Reis.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

TEM COISAS QUE SÓ A GENTE PODE FAZER. APRENDA ISSO FILHA!


Filhotita,

Que noite, hem? Mal dormimos. Se muito, 1h? Desculpa filha, sua mãe está tão sensível, de modo que, muitas das coisas que acontecem são amplificadas por essa sensibilidade. É que sua mãe com o término da gestação e a chegada do parto, FINALMENTE aprendeu que tem coisas que SÓ a gente pode fazer. Pois ainda que conheça a fidelidade de DEUS e tenha todo o AMOR de seu pai por perto e da família. Mesmo assim, filha, é muito delicado a sensação de sentir-se só.

Digamos que o PARTO é um segundo nascimento. E como qualquer nascimento, só você pode dar conta disso. Será nosso nascimento. O seu, que aprenderá a sobreviver e a lutar pela vida, nos primeiros momentos fora do ventre de mainha e eu, aprender com algo que desconheço e que não tenho total controle. Vivenciar algo que se inaugura para nós duas!!! E não existe conhecimento prévio.

POR ISSO CARREGO TANTAS PERGUNTAS..

Como será? De dia ou de noite? Será que terei contrações? A bolsa vai romper? Ou você apenas nascerá? Dará tempo de ligar para seu médico? De chegar na maternidade? Quem vai nos levar? Será, de fato, uma cesária? E seu pai estará conosco? Ou estaremos sós? Mais uma vez, eu e você? Sem contar, das outras inquietações pós o parto... a sua saúde, o seu bem-estar...E da preocupação com seu pai na estrada, caso ele esteja ainda em Paulo Afonso.

A sensação que nos invade é a de total impotência. Porque uma coisa é fato: não temos o controle de nada. Você e a natureza é que mandam! Eu só obedeço. E por mais que a gente tenha feito todo um acompanhamento médico direitinho e tudo esteja BEM, graças à Deus, mesmo assim, dá um medo danado!!! Nessas horas, parece que mamãe não fez curso maternidade, não leu nenhum livro sobre gestação, sites, etc. NADA!!!! Nem a aprendizagem como mestrado e doutorado ajudam.... Me sinto uma total ignorante. E SOU!!!!! Engraçado, isso, né?

E sabe o que vem junto a tudo isso... uma necessidade de compartilhamento. Que o outro esteja aqui. Principalmente o seu pai. Pois, a sua presença, parece que dá um outro sentido a essa solidão. Mas não falo apenas em presença física, e sim do cuidado, da sensibilidade, de vivenciar isso junto. E dizer que está com medo também. De ligar dizendo palavras de afeto, sei lá...

Acontece filha, que os homens, vão em outra direção. Se preocupam em prover a casa. Igualzinho ao tempo das cavernas!!!!! Se preocupam com o abrigo, com o fogo e com a caça. Com seu pai, não seria diferente. Afinal ele se preocupou com o nosso bem estar físico em São Paulo, nos deu todo o conforto necessário, também providenciou tudo para sua chegada: móveis do quarto, enxoval, coleta das células-tronco, etc. Digamos que seja uma outra forma de estar presente e demonstrar afeto.

Entenda, não estou fazendo críticas. Apenas uma leitura... Sabe por quê? Porque a hora do parto chegou e é um outro tempo. Para nós duas, o parto não é apenas o momento em que você sairá da barriga de mãe e ouviremos seu chorinho. Já estamos lá, hem? É AGORA! E já vivemos a melancolia da despedida - a saudade do ventre e a ansiedade por um OUTRO MUNDO que nos aguarda. Enquanto seu pai, ainda está fazendo as contas da gestação (Risos). Ontem mesmo me disse, após uma conversa tensa: "mas, você ainda está entrando no 9º mês".

O que dizer? Cada qual tem o seu tempo e sua espera. Por isso, hoje, escrevi a seguinte chamada no orkut: "para essa espera... tenho que perder as contas e ter a alma e o corpo, nús". Vamos tentar entendê-lo, né filha?

A questão é que nós fomos muito mal acostumadas. E são momemtos como este que caí a ficha literalmente. Vou explicar...

Nós mulheres vivemos grande parte da nossa vida em compartilhamento. Como assim? As nossas escolhas já nascem co-dependente do outro. Quando filhas, vinculam-se aos pais. Depois quando começamos a ter uma autonomia do corpo, afetivamente/sexualmente falando, nos ligamos ao namorado e posteriormente, ao maridão. E a nossa autonomia, vai sendo tecida assim, junto ao outro. O que de certa forma, dá uma sensação de pertencimento e divisão. SIM!!! O que é bem legal... Mas a prática é outra coisa. Xiiiiii...tem uma cilada, aí...

Pois, em momentos como este, a hora do parto, aprendemos que só nós, mulheres, podemos dar conta... NÃO EXISTE ESSE COMPARTILHAMENTO TODO. AFINAL QUEM VAI SENTIR A DOR POR VOCÊ, SE NÃO VOCÊ MESMA? E que a presença do marido, avôs, avós, tias... amigos e amigas... não vão de fato, fazer o trabalho de parto por você. Ainda que a presença, ajude e muitooo.

(Aqui abro um parentêses para falar da saudade de seu avô Alfredinho e a falta da sua presença como pai em minha vida. Talvez com ele ao meu lado, o sentir-se filha ajudasse a atenuar a fragilidade. Entendo que muito da minha angústia vem da constatação de que ele não está aqui e que não tenho meu pai para me proteger.)

Por isso, acredito que a experiência do parto nos faz seres de outro planeta. SÓS nos tornamos mais fortes e quase sobrenaturais. Porque aprendemos que é do nosso substrato corpóreo que vem a força... das nossas células mesmo. Células, entenddidas como um CHAMADO DIVINO DA VIDA.

Sendo assim, filha, VAMOS AGRADECER por termos nascido Mulher!!!!! Viu?

domingo, 15 de agosto de 2010

A PALAVRA DE ORDEM É AGRADECIMENTO!


Filha minha...

Você me permitiu uma gestação tão saudável e foi tão generosa comigo. Que posso sem DÚVIDA alguma, proclamar que DEUS É FIEL e nos fez abençoadas. Quando faço uma breve reflexão, percebo como fomos e somos cúmplices! Afinal seguramos firmes toda a barra de São Paulo, com tantas idas e vindas sozinhas no eixo SP-SSA-SP. E só tínhamos uma a outra!!!! Mamãe fez tudo na sua companhia. Idas aos supermercados, consultas médicas, exames laboratoriais e de diagnóstico. Sem falar das aulas do Doutorado na PUC.

Ahhhh"Lisoca" foram tantos desafios e eu me sentia tão responsável por você (preocupada), que nem tive condições emocionais de me deslumbrar com as transformações no meu corpo durante os 6 meses iniciais. Eu fui tão "masculina" e disciplinar, que por muitos momentos não pude admirar a singeleza e a beleza de uma gestação. O meu encantamento foi substituído por um protocolo de ação: precisava me alimentar muito bem (comida natural, com muitaaaaaaaaaaaaa verdura e frutas), bebia em média 3 litros de água por dia, idas regulares a minha obstetra em sampa, entre tantas outras restrições. Sem falar no regime de quartel adotado, pois fiz a opção de restringir minhas saídas, uma vez que estavámos em pleno inverno de São Paulo com temperaturas na faixa dos 13 graus e o surto de gripe/ H1N1.

Digamos que foi necessário filha. Afinal estamos, aqui, tão saudáveis e contando as horas para você chegar. Minha palavra se resume a uma só: AGRADECIMENTO. Agradeço primeiramente à DEUS, porque sem ele e os momentos de comunhão na Igreja Batista de Perdizes, não consegueria ter forças para permanecer "sozinha" e com toda essa responsabilidade em São Paulo. Agradeço também a família maravilhosa que temos, assim como seu pai, que é um homem maravilhoso e que sempre esteve do nosso lado e sem ele, talvez, tivesse largado o Doutorado. Como também a ti minha filhota, que foi tão guerreira como sua mãe. Pois o tempo todo te comunicava o que iríamos fazer e te pedia apoio, paciência, ajuda e também dividia um pouco das responsabilidades.

Como até hoje!!!!! Uma vez que acredito que escolhas são feitas por todos nós!!!! Assim como eu e seu pai escolhemos que você chegaria para nós, creio que no plano espiritual, você também fez a escolha de vir para essa família. Assim, já tinha uma "noção" do que lhe esperaria. Por isso desde o começo, optei em compartilhar todos os nossos momentos e dividir com você nossas escolhas.

Tudooooo.... desde as alegrias, até os momentos em que só você, pulsando em meu ventre, era capaz de atenuar a solidão. Você foi minha companheira das aulas do Doutorado, nas noites sem dormir, na expectativa dos resultados dos exames médicos e toda vez que era tomada por um choro incontrolável. Ahhh teve também um monte de episódios engraçados... você era cúmplice das vezes que desejava um pedaço de torta da padaria perto do flat e ficava, vou ou não vou, e te pedia ajuda, lembra filha? Você muitas vezes me fez segurar a onda e não cair de "boca" nas guloseimas da esquina. Brincava dizendo: se mexer eu vou, se não, eu fico com minha frutinha. E você nem mexia...

Por isso hoje, poucos dias antes do seu nascimento, a minha palavra de ordem é AGRADECIMENTO! Agradeço cada minuto dessa gestação e do privilégio de estar aqui, te esperando, encantada com tudo... já morrendo de SAUDADES da barriga linda que você me deu!
Hoje e sempre, meu coração é um coração agardecido!

sábado, 14 de agosto de 2010

Lembrancinha Maternidade




Filha,
Vovó Beré fez essas bonequinhas como lembrança-maternidade. Estão tão lindas, que nem precisa dizer o quanto você é esperada. Pois só amor de vó para tanta dedicação!!!!! Foram mais de 80 perninhas e 80 bracinhos para serem enchidos e costurados na mão. Sem falar da carinha, que sua mãe tentou fazer e borrou um monte. Tia Lali foi a nossa salvação. Ela fez com tanto jeitinho e ficou muito delicada. Que diferença! Nesse bololô ai, vão ter carinhas mais borradinhas (feitas por mamãe) e outras mais fofinhas (feitas por tia Lali).
E o mais bacana é imaginar que você pode vir a ser essa menininha bailarina. Não veja a hora de você crescer e fazer aula de balé. Não adianta, a gente acaba "transferindo" nossos sonhos, ainda que não seja justo. Afinal cada qual tem seus sonhos próprios!!!! E você pode ser capoeirista ao invés de bailarina... ou quem sabe atleta que nem a amiga de mamãe e papai, tia Marília?
Vamos ver...seja o que quiser, minha filhotita. Corra atrás dos seus sonhos!!!!!